
Transportadoras vão repassar custos de reposição
Restrições na circulação e operação de carga e descarga na Capital elevaram gastos das empresas em torno de 15%.
As transportadoras de cargas do Estado continuam sentindo os efeitos da mudança nas regras para circulação e operação de carga e descarga de caminhões com capacidade acima de cinco toneladas e com comprimento maior do que 6,5 metros na área central da Capital, estabelecida pela Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans). Agora as empresas iniciam o processo de repasse dos custos com readaptação da frota.
De acordo com o presidente da Patrus Transportes Urgentes Ltda, Marcelo Patrus, a empresa, especializada em transporte de cargas fracionadas, está tendo gastos 15% superiores em relação ao período anterior à entrada em vigor das novas normas, já que com a mudança a produtividade dos caminhões caiu 28%. "O tempo médio entre uma entrega e outra era de 15 minutos e, hoje, o tempo mínimo que nossos entregadores gastam é de 30 minutos", explicou.
Além disso, segundo informou o presidente, agora é necessário trabalhar com o dobro de veículos para a atender a demanda do centro de Belo Horizonte. "O abastecimento de mercadorias e produtos nas grandes cidades só pode ser feito por caminhões, isto é uma realidade. Ocorre que o caos que vivemos hoje não é culpa dos caminhões, mas sim do excesso de veículos de passeio, e isso vale para o Brasil inteiro", ressaltou.
Com isso, a forma que o setor encontrou de não arcar com todo o prejuízo foi a criação da Taxa de Restrição de Trânsito (TRT), pela Associação Nacional dos Transportadores de Carga (NTC), que prevê acréscimo de 15% sobre o valor do frete, com o mínimo de R$ 12 por entrega, no caso das cidades que possuem locais de restrição. "Esta foi a forma que encontramos de não levar todo o prejuízo. Afinal, já tivemos que adaptar a frota e comprar novos veículos", disse.
Na opinião de Patrus, a situação deve se agravar ainda mais nos próximos anos. "O transporte rodoviário de cargas fracionadas vai ser particularmente afetado pelo caos urbano que a cada dia se intenfica mais. Ano após ano fica mais difícil a locomoção em decorrência do péssimo trânsito, especialmente nas capitais", alertou.
A Empresa de Transportes Martins Ltda foi outra empresa do ramo que sentiu os impactos financeiros da restrição no transporte de cargas fracionadas na Capital. De acordo com o presidente da empresa, Ulisses Martins Cruz, antes das novas regras a empresa mantinha oito caminhões trabalhando na região Central. Hoje são 12 veículos realizando entregas.
Negociações - "Se existe a restrição de atuação, temos que aderir a alternativas para não perdermos o nível de trabalho. O comércio não pode deixar de ser abastecido. Em contrapartida, as transportadoras não podem arcar com todas as despesas. Por isso, estamos agora no processo de negociação dos repasses dos custos", explicou.
Ainda conforme Cruz, a empresa concorda que carretas e veículos extragrandes atrapalham o fluxo nas principais ruas do centro. No entanto, discorda de que a restrição atinja também os veículos de médio porte. "Estes caminhões estão aptos a transitar pelo centro das grandes cidades. A BHTrans precisa pensar em opções que não prejudiquem o trabalho das transportadoras. Uma alternativa seria acabar com o estacionamento paralelo nas vias urbanas locais e a criação de estacionamentos verticais", sugeriu.
Já a Confins Transportes Ltda não tem sentido tanto os reflexos das alterações nas regras, já que a maioria de suas entregas é feita na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Porém, na opinião do sócio e diretor da empresa, ngelo Gabriel de Almeida, as mudanças proporcionam poucos resultados práticos para o setor.
"Não acho a medida produtiva em ganhos para o trânsito, nem tampouco para o meio ambiente. As empresas tiveram de colocar uma quantidade maior de veículos nas ruas, o que aumenta o caos no trânsito e a poluição atmosférica", avaliou.
As novas regras implementadas pela BHTrans, em vigor desde outubro de 2009, regulamentam que caminhões com mais de cinco toneladas e comprimento superior a 6,5 estão proibidos de circular no centro da Capital nos dias úteis, das 7h às 20h. Aos sábados, a proibição passou a valer no horário de 7 às 15 horas.
Fonte: Diário do Comércio - 2/03/2010
Jornalista MARA BIANCHETTI.
